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A difícil tarefa de Cutifani para recuperar a Anglo American

17 de janeiro de 2013

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“Sou um engenheiro de minas – tenho de seguir o princípio da simplicidade”, disse Mark Cutifani, ao declarar sua ambição de tornar a Anglo American a melhor mineradora do mundo.

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Embora Cutifani possa ser uma pessoa que valorize a simplicidade, a tarefa com que se defronta será tudo, menos simples.

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A Anglo American, cujo comando Cutifani assumirá no início de abril, enfrenta desafios que vão desde os mais corriqueiros até os de ordem existencial.

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Cutifani – um australiano que se esforçou ao máximo para conquistar um bom grau de credibilidade na África do Sul – terá de fazer frente a todos eles. Precisará recuperar o que foi descrito por analistas do Deutsche Bank como “elo perdido” entre a direção da Anglo e suas divisões, dar uma solução para o problemático projeto Minas-Rio no Brasil e enfrentar as difíceis relações que a Anglo mantém com a África do Sul, onde a empresa foi fundada.

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A Anglo enfrenta dificuldades para concorrer no cenário mundial desde que transferiu seu registro principal da bolsa de Johannesburgo para a de Londres, em 1999, ficando bem atrás dos líderes mundiais do setor – a BHP Billiton e a Rio Tinto – em termos de capitalização de mercado.

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A Cynthia Carroll, que anunciou que deixaria o cargo de principal executiva em outubro passado, foi atribuído o mérito de ter melhorado as relações da empresa com as autoridades sul-africanas. Mas as violentas greves ocorridas no país no ano passado e a perspectiva de novas tensões salariais no terceiro trimestre deste ano fizeram os investidores internacionais voltarem a dirigir seu foco para as distorções que marcam as atitudes da Anglo para com o país. Por outro lado, seus maiores investidores domésticos gostariam que a mineradora assumisse suas raízes.

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Cutifani, relutante em se deixar adiantar em relação à data de sua posse, limitou-se a corroborar o sentimento do presidente do conselho de administração, Sir John Parker, de que a Anglo é uma “mineradora global que se orgulha de sua herança sul-africana”.

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Os acionistas mostraram-se calorosos em elogiar Cutifani. “Trata-se de uma indicação muito boa”, disse Ralph Mupita, executivo-sênior da empresa de serviços financeiros Old Mutual. “Ele é respeitado. Há desafios, certamente, para a Anglo, mas tenho certeza de que ele sabe o que precisa ser feito para contorná-los.”

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A estatal Public Investment Corporation, que tinha feito um apelo público em favor de um principal executivo sul-africano, elogiou a escolha do conselho de administração, louvando a “ampla experiência” de Cutifani.

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Sua nomeação permite pressupor que uma drástica reformulação da empresa – como uma separação parcial ou total dos ativos sul-africanos do grupo – está fora de cogitação.

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“Mark é um operador – um personagem consagrado na África do Sul -, não uma pessoa que vai pensar o impensável na esfera estratégica”, disse Paul Gait, analista da Bernstein que trabalhou na Anglo por oito anos, até 2011. Os acionistas, em vez disso, estarão em busca de uma solução para as dores de cabeça operacionais da Anglo, como a mina chilena de Los Bronces, cuja produção de cobre decepcionou.

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Outra alta prioridade será decidir como enfrentar as dificuldades do projeto Minas-Rio. Acossada por adiamentos de origem burocrática e acusada por alguns investidores e analistas de querer dar um passo maior que as pernas, a Anglo disse no ano passado que a construção do Minas-Rio custará agora pelo menos US$ 8 bilhões – mais que o dobro da estimativa original.

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“Os problemas operacionais em Los Bronces devem ser coisa elementar para uma pessoa com a experiência de Mark”, disse Gait. “O Minas-Rio deve ser coisa que ele é mais do que capaz de resolver e sua experiência em operar no Brasil certamente será positiva para esse projeto.”

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Uma maior carga tributária talvez esteja rondando a acossada divisão de platina da Anglo, enredada num setor às voltas com a fragilidade dos preços e a superoferta.

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Para a Anglo, a onda de greves do ano passado que afetou os setores de platina e de ouro na África do Sul significou ter de fechar suas onerosas minas de Rustenburg, que respondem por cerca de 30 a 35% de sua produção.

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As minas voltaram a operar normalmente. Mas o fechamento de minas antieconômicas num setor historicamente fixado em onças, e não em lucros, é exatamente a atitude que os investidores vêm torcendo para ver da parte da Anglo, a líder do setor, com 40% do abastecimento mundial. A longamente esperada reavaliação da divisão de platina está prevista para dentro de algumas semanas – antes da posse do novo chefe.

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“Precisamos manter o assunto em pauta… porque nos ocupamos dele boa parte do ano passado”, disse Sir John Parker ontem, acrescentando que o conselho de administração prometeu aos acionistas um plano para melhorar os retornos, inaceitavelmente baixos.

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A esperança, disse Gait da Bernstein, é de que a Anglo acabe ganhando duplamente, com a avaliação, por Cutifani, das perspectivas de mais longo prazo da divisão após uma rodada inicial de reestruturação que ajudará a sustentar o preço da platina e melhorar os fluxos de caixa.

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“A interpretação menos benevolente é a de que Sir John detém a estratégia e Mark está sendo encarregado de executá-la”, acrescentou ele, o que reforça a percepção reinante em alguns círculos de que o conselho de administração da Anglo vem revelando um grau de ingerência fora do comum.

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Os investidores ansiosos por ouvir o projeto de Cutifani para a Anglo terão de esperar até depois da análise estratégica anual de junho.

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Mas o designado para o posto de principal executivo disse que estarão entre suas prioridades “assegurar que o portfólio seja o portfólio correto”. “No fim”, acrescentou, “se não criarmos valor para todos os nossos principais acionistas, não teremos futuro. A minha função é justamente pôr essa ideia em prática”.

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Um grau considerável de complexidade se interpõe entre Cutifani e sua meta – para não falar no fardo representado pelo alto nível de expectativas.

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Fonte: Valor Econômico

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