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Artigo | O G20 e o clima

8 de agosto de 2017

Fernando L. Zancan – Presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral

Assistimos as discussões sobre a reunião do G20 que foi realizada em Hamburgo na Alemanha e que contou com a participação das maiores economias mundiais. Das agendas tratadas, protecionismo, terrorismo, economia, a das mudanças climáticas foi a que mais atraiu atenção da mídia face a posição do governo dos Estados Unidos. A posição norte americana de inserir os combustíveis fósseis na agenda mundial de fontes para fornecer a segurança energética, em especial para os países em desenvolvimento, foi combatida por 19 membros do G20.
 
O comunicado faz referência que o acordo de Paris é irreversível, mas cita a posição defendida pelo Governo Trump. Essa posição contrária aos combustíveis fósseis, mesmo que sejam usados de forma eficiente e limpa, não condiz com as ações que estão sendo promovidas pela China, hoje paladina das energias renováveis, Japão, India e outros países. A própria Alemanha, hospedeira da Conferencia, tem 40 % de usinas à carvão na sua matriz de geração de energia elétrica. No caso da China, o discurso contra o carvão, não condiz com a realidade.
 
Empresas chinesas, deverão participar de cerca de 50 % dos 1600 novos projetos de carvão que estão em desenvolvimento em 62 países do mundo. Aproximadamente 700 novas plantas à carvão com cerca de 386.000 MW que estão em diversos estágios de desenvolvimento no mundo, em especial nos países em fase de crescimento, tem empresas chinesas no processo. A China além de fornecer equipamentos de alta tecnologia, tanto na mineração, no transporte e na geração de energia, fornece o financiamento dentro de uma estratégia denominada de “One Belt, One Road”, onde estão disponíveis cerca um trilhão de dólares via seus bancos públicos. Países como o Egito tem planos para novos 17.000 MW, Paquistão com 15.300 MW são alvos das empresas construtoras de usinas à carvão, dentre elas empresas Chinesas, Indianas e Japonesas. No mercado mundial de geração de energia elétrica de bilhões de dólares de investimento há uma grande disputa de espaço.
 
Os Chineses que estão buscando diversificar sua matriz de geração de energia elétrica, que hoje tem 68 % à carvão, são também grandes fornecedores de equipamentos de energia renovável (solar e eólica) e tem interesse em expandir esse mercado a nível internacional. Os Estados Unidos, além de ter energia elétrica muito barata por causa das energias fósseis, dispõe de enormes reservas de combustíveis fósseis (gás, carvão e petróleo) e passa a ser exportador de GNL e carvão e importante produtor de petróleo. Além disso dispõem de tecnologias limpas de carvão para fornecer ao mundo e pretende abrir as fontes de financiamento para exporta-las. O discurso americano é transparente e pragmático e sempre tem citado o uso limpo destas fontes.
 
No Brasil, que tem 3.174 MW de capacidade instalada de usinas a carvão (2,1 % do total), sendo 1.765 MW a carvão nacional, estamos vendo a redução de 30 % do parque instalado à carvão nacional, com a desativação de 521 MW no Rio Grande do Sul em 2017, sem que haja uma política para sua substituição. Apesar de termos uma matriz de geração com mais de 80 % de energia renovável, o discurso equivocado de que não podemos ampliar a fonte para não comprometer as metas do acordo de Paris está sempre em voga em face ao estigma mundial do carvão.
 
Quando, em 2016, o setor carbonífero fez uma proposta de modernizar o parque e reduzir as emissões de CO2/KWH, isso foi vetado por pressão ambiental. Felizmente hoje isso foi entendido pelo Governo quando é referenciado no Plano Decenal de Energia – PDE 2026 um programa de modernização do atual parque termelétrico a carvão. Isso é o início para a discussão de uma política industrial para o carvão nacional, que não só produz elétron, mas também molécula (gás de síntese) a preços competitivos.
 
Entendemos que para resolver o problema das mudanças climáticas, de forma atender a demanda crescente de energia no mundo e no Brasil, não se deve estigmatizar uma fonte, pois precisaremos de todas elas. Devemos sim buscar tecnologias de baixo carbono. Se não fica somente a discussão política e a questão econômica que está por traz do jogo midiático fomentado pelas cadeias produtivas das fontes concorrentes.
 
Fernando L Zancan
Presidente da ABCM
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