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As alternativas na crise energética

24 de janeiro de 2013

rnMais uma vez, o risco vivido pelo país de sofrer uma crise de energia elétrica, por conta da falta de chuvas, mostrou a necessidade de se manter uma matriz energética diversificada. Essa matriz deve contemplar todas as fontes d

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Mais uma vez, o risco vivido pelo país de sofrer uma crise de energia elétrica, por conta da falta de chuvas, mostrou a necessidade de se manter uma matriz energética diversificada. Essa matriz deve contemplar todas as fontes disponíveis para a geração de eletricidade, reduzindo a dependência das condições climáticas, cada vez mais adversas com o progressivo aumento do aquecimento global.

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Desde o início dos anos 1990, o poder de regularização dos reservatórios das hidrelétricas vem caindo em relação ao aumento da capacidade instalada. Isso se deve à ampliação das condicionantes ambientais, que, no máximo, permitem reservatórios muito pequenos ou praticamente inexistentes (usinas a fio dágua), reduzindo a geração dessas usinas em período seco. Com isso, para manter a segurança de suprimento elétrico, fica indispensável o acionamento das usinas térmicas na base do sistema. A participação das termelétricas tem aumentado de forma relevante nos últimos dez anos, dando à matriz uma configuração hidrotérmica, com prevalência hidráulica (85,36%) em termos de geração de energia, com as térmicas em geral contribuindo com 13,63%, e as demais fontes, com cerca de 1%.

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A utilização de usinas térmicas é balizada pelo seu custo e, além do aumento do preço da energia, traz a contrapartida de crescimento da poluição, porque, em sua maioria, com exceção das nucleares, as termelétricas geram energia queimando combustível fóssil.

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As usinas nucleares, no processo produtivo, não geram gases de efeito estufa e de chuva ácida, nem cinzas ou gesso durante a geração de energia. Podem ser instaladas próximas a centros de consumo, dispensando longas linhas de transmissão, diminuindo os riscos de falha no transporte de grandes blocos de energia e colaborando para a estabilidade do sistema. Também não dependem de fenômenos naturais (chuva ou vento) e precisam de pouco espaço para gerar muita energia. Por exemplo, o sítio de Angra 1 e 2 utiliza cerca de 1,5 quilômetro quadrado para uma capacidade de 1.990 megawatts. O preço do combustível tem impacto de apenas 17% no custo de geração, e seu valor no mercado internacional não costuma ser submetido a bruscas oscilações.

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O Brasil possui uma grande quantidade de urânio e, se for realizada a devida prospecção, estima-se que o subsolo nacional possa abrigar cerca 800 mil toneladas do minério – o que representaria a segunda maior reserva do mundo. O país domina a tecnologia do ciclo do elemento combustível e, com as usinas Angra 1 e 2, se adquiriu um alto grau de experiência operacional. As condições naturais são excepcionais para a construção de usinas nucleares: o território brasileiro oferece água em abundância, solos estáveis e não está sujeito a eventos externos de alta magnitude.

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A geração das usinas Angra 1 e 2 contribuiu para a economia de água dos reservatórios das usinas do Sudeste, tornando menos dramática a situação crítica atual do sistema elétrico. As duas geraram energia suficiente para suprir as cidades de Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte por um ano.

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A seca que o país enfrentou nos últimos meses é a segunda em 12 anos, para um ciclo que deveria ter sido de dez anos. Portanto, é inevitável que as térmicas aumentem seu peso na matriz elétrica, e a ampliação do parque nuclear, dentro desse contexto, é uma decisão racional e natural para dar maior segurança ao sistema elétrico brasileiro.

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Fonte: O Globo

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