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BNDESPar concentra 89% dos investimentos em apenas 5 setores

15 de março de 2013

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Nos últimos dez anos, a BNDESPar, braço de participações do BNDES, aumentou a concentração dos seus investimentos. Levantamento mostra que o peso dos setores de óleo e gás, mineração e energia saltou de 54% para 75% do total da carteira da BNDESPar entre 2002 e 2012. O levantamento foi feito com base em informações dos balanços dos últimos 11 anos e levou em conta participações diretas e indiretas em empresas com ações em bolsa.

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Ao se incluir mais dois setores na conta – alimentos e papel e celulose – a concentração sobe para 89% da carteira total de ações. Em termos financeiros, isso significa que dos R$ 74,5 bilhões investidos pela empresa de participações ao fim do ano passado (considerando valores de mercado inclusive para companhias classificadas como coligadas), R$ 66,3 bilhões estavam alocados em apenas cinco setores e R$ 8,2 bilhões estavam distribuídos entre todos os demais. E os setores que ficam com a maior parte dos recursos não são os mesmos que foram alvo das políticas industriais dos últimos governos.

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A concentração aumentou não apenas pela forte valorização das ações de Petrobras e Vale em meados da década passada, mas também por novos aportes feitos pela empresa de participações do BNDES nessas duas companhias e em outras que integram esses setores, como Eletrobras, CPFL e MPX e OGX mais recentemente.
A carteira da BNDESPar foi multiplicada por mais de quatro vezes entre 2002 e 2012, saindo de R$ 16,2 bilhões para R$ 74,5 bilhões, considerando valores de mercado. Apesar do crescimento, há uma queda relevante desde o pico de R$ 102 bilhões, alcançado ao fim de 2010.

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A redução do portfólio ante a máxima histórica se explica, em parte, pela desvalorização das ações, com destaque para R$ 10,8 bilhões apenas da queda das ações da Petrobras desde a capitalização em 2010 até o fim do ano passado. Mas tem a ver também com a venda de papéis em bolsa – o que a empresa faz de forma regular – e com o repasse de R$ 6 bilhões em ações para o Tesouro, antes da virada do ano, que foram parar na carteira da Caixa.

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A análise setorial da carteira da BNDESPar também permite notar que o setor de telecomunicações, que em 2002 representava 11% do total, hoje tem peso abaixo de 1% nos investimentos.

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No lugar das empresas de telecom, entraram as companhias do setor alimentos, com destaque para o segmento de proteína animal. Representado hoje por JBS, Marfrig, BRF e Vigor, o setor de alimentos sequer aparecia na carteira em 2002, mas no fim do ano passado tinha peso de 6% no investimento total. A LBR, do segmento de lácteos, não entra nessa conta, porque, além de não ter ações em bolsa, foi baixada do balanço.

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Um segmento que, apesar de altos e baixos ao longo dos dez anos, sempre manteve peso importante na carteira da BNDESPar foi o de papel e celulose, que fechou o ano passado com uma fatia equivalente a 8%. Em 2002, a participação era de 10%.

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Nenhum desses cinco setores mais representativos da carteira está entre os segmentos eleitos como prioritários na política industrial anunciada pelo governo Lula em 2004, que listou bens de capital, software e fármacos, além de projetos ligados à inovação, como os preferidos do País.

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Olhando a carteira total por empresa, os dez maiores investimentos equivalem a 84% do total. Petrobras e Vale garantem 60 pontos percentuais desse subtotal, enquanto Fibria, JBS, Brasiliana (Eletropaulo e AE Tietê), Copel, CPFL, Suzano, CEG e Eletrobras completam a lista com os outros 24 pontos percentuais. Como se nota, todas as empresas são dos segmentos de óleo e gás, mineração, energia, alimentos e papel e celulose.

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O diretor da BNDESPar, Julio Ramundo, disse que a composição da carteira e suas variações exprimem a intensidade de capital de alguns setores, como óleo e gás, mineração e papel e celulose. Afirmou ainda que o aumento da concentração decorre também da valorização de algumas das ações desses setores e de aportes de capital feitos pelo Governo, entre os quais estariam os R$ 22,4 bilhões repassados para investimento na capitalização da Petrobras em 2010. “A despeito dessa concentração, que pode levar à falsa conclusão de que o BNDES está reproduzindo determinado padrão de divisão setorial da economia brasileira, é importante verificar os movimentos [da BNDESPar], menores em valores, mas representativos em termos da carteira”, disse.

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Ele citou como exemplo desses movimentos o caso do setor de tecnologia da informação (TI). Disse que, das quatro empresas brasileiras do setor listadas na bolsa, três – Totvs, Linx e Bematech – têm a “digital” do BNDES. Mas reconheceu: “Infelizmente esse setor [de TI] ainda não tem a expressão, em termos de mercado de capitais, da existente em economias desenvolvidas”. A crítica à concentração da carteira seria mais válida, segundo Ramundo, se o Brasil tivesse uma situação intrínseca e até cultural no mercado de capitais, em que houvesse inúmeras empresas da área de tecnologia e elas não tivessem o apoio do BNDES.

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A tendência, segundo ele, é de que o banco aumente a exposição da carteira a setores de maior risco, como empresas de base tecnológica. Ele disse que, só em 2012, a BNDESPar fez dez novas operações diretas em empresas com ênfase em inovação e tecnologias limpas, no valor total de R$ 1,87 bilhão. Entre elas estão GraalBio (etanol de segunda geração, com R$ 600 milhões), Renova (energia eólica, com R$ 315 milhões) e Six (semicondutores, com R$ 272 milhões)

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Como contraposição, disse que os principais investimentos novos em empresas grandes abertas somaram R$ 882 milhões, considerando exercício de direitos de subscrição de ações de Fibria, Suzano e Marfrig, além de uma emissão de debêntures da Contax.

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Referindo-se especificamente ao setor de proteína animal, ele disse que, apesar não estar na lista da política industrial de 2004, integrava a Politica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), de 2008. “O BNDES é executor de politica. Não saiu como ente iluminado executando isso”, disse.

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E de onde vem o dinheiro para da BNDESPar? Os dados de balanço indicam que foram feitos aportes de capital de R$ 50 bilhões entre 2007 e 2012. Mas Ramundo nega que a empresa de participações tenha se abastecido pelos repasses bilionários que o Tesouro tem feito ao banco. “A BNDESPar é independente dos recursos do BNDES. Se pegar de 2003 para cá, ela gerou R$ 25 bilhões em caixa.”

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O aumento de capital, segundo ele, se justifica tanto pelos R$ 22,4 bilhões da operação da Petrobras em 2010, como pela transformação de um mútuo antigo que a empresa tinha como o banco em capital, sem entrada de dinheiro novo.

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Fonte: Valor Econômico

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