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Brasil e latino-americanos devem evitar intervencionismo, diz Arida

24 de janeiro de 2013

rnDAVOS – “Não sigam o exemplo brasileiro”, recomendou o sócio do banco BTG Pactual e ex-presidente do Banco Central Persio Arida, ao ministro de Finanças da Colômbia, Maurício Cárdenas. O ministro se queixa

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DAVOS – “Não sigam o exemplo brasileiro”, recomendou o sócio do banco BTG Pactual e ex-presidente do Banco Central Persio Arida, ao ministro de Finanças da Colômbia, Maurício Cárdenas. O ministro se queixa da pressão dos empresários colombianos para adotar naquele país medidas de conteúdo nacional e proteção tarifária como as criadas pelo governo brasileiro. A adoção de diferentes estratégias para garantir o crescimento e a necessidade de promover novas reformas estruturais para sustentar o dinamismo da economia foram o principal tema do debate “Contexto Latino-americano”, promovido no Fórum Econômico Mundial, em Davos.

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Os objetivos da política econômica brasileira têm sido traçados corretamente, mas “a execução é muito pobre”, disse Arida, no debate com autoridades, empresários e analistas latino-americanos. Mas ele se mostrou otimista com as perspectivas do Brasil. A reação negativa a políticas de forte intervenção no mercado e a falta de investimentos tem levado o governo a corrigir os rumos e retomar, por exemplo, a agenda de privatização estagnada desde 2006, exemplificou.

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“Há países que não aprendem com os maus resultados das más políticas. O governo brasileiro aprende e, mesmo sem mudança política, vai aprender”, disse Arida, para quem o Brasil foi a maior decepção dos investidores no ano passado. Mais que a queda no crescimento da China. “O que desaponta no Brasil é o reduzido nível dos investimentos, que aponta para uma trajetória de baixo crescimento.”

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Medidas como a escolha de setores para concessão de benefícios e barreiras protecionistas podem facilitar a situação de algumas empresas em curto prazo, “mas se tornam entraves ao crescimento, não são a melhor maneira de aumentar a produtividade no longo prazo, não compensam”, argumentou.

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“Como corrigir os erros atuais? O que acontece é temporário e vai ser corrigido, porque há forte consciência do que precisa ser feito”, disse Arida.

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Brasil, um caso à parte

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No debate sobre a América Latina, o Brasil foi tratado como um caso diferente, sem o êxito das economias mais bem sucedidas, como Chile e Panamá, mas não incluído entre os mais hostis às regras de mercado, como Argentina e Venezuela. Para o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, o tamanho do país e as perspectivas trazidas por grandes investimentos com a Copa e a Olimpíada são argumentos fortes para acreditar no bom desempenho da economia brasileira.

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“Não há país emergente na situação do Brasil”, comentou Moreno, para quem a perspectiva de baixo crescimento nos mercados desenvolvidos, nos próximos cinco anos, levará os investidores, hoje cautelosos, a buscar oportunidades em mercados emergentes com economias dinâmicas como a brasileira. “Essa discussão que vemos hoje, conjuntural, não sobreviverá aos próximos três anos; até lá todos estarão falando sobre como ir ao Brasil”.

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Persio admite que o baixo crescimento dos últimos dois anos é uma acomodação necessária após a forte aceleração da economia brasileira em 2010, mas apontou problemas estruturais que exigem reformas como a adoção “envergonhada” de privatizações pelo governo Dilma Rousseff. Políticas como a de conteúdo nacional adotada no setor de petróleo reduzem a capacidade de investimento da Petrobras ao aumentar custos, comprometem a exploração do petróleo das camadas do pré-sal e prejudicam o país em prazos mais longos, argumentou.

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Lembrado que os investidores estrangeiros mostram maior interesse pelo Brasil, Arida, com bom humor, disse que esse ânimo pode ser sinal de que os estrangeiros olham mais a longo prazo, menos afetados pelas questões de curto prazo que atingem os empresários nacionais, ou são otimistas porque têm menos informações do que os investidores que estão no mercado brasileiros. “A verdade é que o investidor olha um país do tamanho do Brasil e pensa: temos de estar lá.”

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Colômbia, um bom exemplo

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Uma bem-sucedida política de segurança, a consistência na manutenção de políticas macroeconômicas e um esforço recente para reduzir os desequilíbrios resultantes do crescimento fizeram a Colômbia ser mencionada no painel do Fórum Econômico como exemplo de êxito na mudança do ânimo de investidores, que antes viam o país como um caso perdido. Cárdenas lamentou que enquanto houve forte crescimento nos setores de mineração, telecomunicações e energia, a indústria de transformação e a agricultura têm sofrido com baixo crescimento e ainda é muito alta a taxa de pobreza.

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O Chile, com desaceleração no crescimento em relação aos anos anteriores, mas crescendo em média 6% anuais desde 2010, também é um dos sucessos celebrados pelos especialistas em Davos. Como vem fazendo há alguns anos, o diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional de Harvard, Ricardo Haussmann, previu para breve o fracasso das economias da Argentina e da Venezuela. A primeira devido a políticas “crescentemente inconsistentes e imprevisíveis” e a segunda pelo aumento da dependência dos recursos do petróleo para financiamento de suas contas fiscais e pela hostilidade às políticas de mercado.

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Para Moreno, do BID, o êxito no lançamento de bônus de países como México, Chile, Colômbia e até Paraguai e Bolívia nos mercados financeiros, com baixas taxas de juros, mostra que em geral os mercados estão “precificando bem” a América Latina, apesar dos custos para fazer negócios na região. Um problema “fundamental”, segundo o executivo, é o baixo patamar de transações comerciais dentro da região: enquanto a União Europeia tem 60% de seu comércio entre seus próprios países, e as nações da Ásia mantêm 48% do comércio entre os próprios mercados, na América Latina apenas 8% do comércio é intra-regional, lamentou. Somente com “vontade política” essa situação deverá mudar, previu Moreno.

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Fonte: Valor Online

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