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Em 2 anos, minério de ferro pode chegar à Bolsa de Londres

18 de julho de 2010

O mercado de minério de ferro passa por um processo de transformação, com tendência a volatilidade de preços. Analistas avaliam que em até dois anos ele poderá ser cotado na Bolsa de Metais de Londres (

O mercado de minério de ferro passa por um processo de transformação, com tendência a volatilidade de preços. Analistas avaliam que em até dois anos ele poderá ser cotado na Bolsa de Metais de Londres (LME), onde já são negociados o níquel e o cobre. Assim, o minério pode virar alvo de especulações e afetar o bolso do consumidor, que pagaria mais caro por produtos à base de aço, se o preço do minério disparasse.

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Semana passada, a LME inaugurou um escritório em Cingapura e anunciou que busca cooperação com a Bolsa de Valores do país, onde o minério é negociado desde abril de 2009, uma iniciativa pioneira no mundo. Especulase que a LME — referência mundial para contratos de metais não-ferrosos, movimentando US$ 7,41 trilhões por ano — queira levar para Londres o modelo de contratos de derivativos do país asiático. Estes são contratos futuros que fixam valores para o minério de ferro.

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Desde que começaram a ser negociados, movimentaram US$ 1,4 bilhão, segundo a própria Bolsa.

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Já existe até uma associação de derivativos de minério de ferro em Cingapura, visando a expandir esse mercado.

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Tendência é que reajuste se torne mensal Em agosto, o CME Group, o maior mercado de contratos futuros do mundo, também vai começar a negociar derivativos de minério de ferro, conforme anúncio feito em junho passado.

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Caso essa tendência se confirme e chegue à LME, é possível que preços de itens à base de aço, de eletrodomésticos a carros, passem a oscilar em questão de meses. O minério de ferro e o carvão são os principais insumos da indústria siderúrgica, respondendo por mais de 50% do preço do aço.

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— Não me surpreenderia se o minério de ferro passasse a ser cotado na LME em um ou dois anos. Se essa tendência se firmar, isso tende a provocar uma inflação (ou deflação) na cadeia produtiva, e o consumidor pode acabar pagando a conta — diz Pedro Galdi, da corretora SLW.

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Rodrigo Barros, analista de mineração e siderurgia do Deutsche Bank, pondera que na LME os contratos precisam ter lastro físico, ou seja, o volume do metal comercializado deve existir de fato. No caso do níquel ou do cobre, a cotação fica na casa do milhar de dólares, para volumes também medidos em milhares.

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No caso do minério de ferro, o preço é de centenas de dólares e o volume, em milhões: — Isso é um obstáculo para negociações de contratos futuros.

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Como os navios transportam, em média, até 140 mil toneladas de minério de ferro por vez, o custo de manter estoques para atender a tantos clientes que negociam na LME seria proibitivo.

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Para outros metais, a transação compensa, pois seu valor é mais alto.

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Barros ressalta ainda que, ao contrário do ouro, por exemplo, o minério de ferro aparece na natureza em diferentes concentrações.

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Isso dificulta seu registro em Bolsa, pois o preço do produto não poderia ser padronizado.

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Ele reconhece, porém, que o setor vive um momento de maior volatilidade desde que a Vale introduziu seu novo modelo de definição de preços, baseado em reajustes trimestrais. Já houve dois reajustes este ano, de 100% em abril e 35% em julho, segundo estimativa de analistas.

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Até então, a revisão era anual.

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Em ambas ocasiões, as siderúrgicas repassaram parte da alta — 10% a 15%, em média — aos clientes. Fontes do setor dizem que a tendência é que os reajustes se tornem mensais. Logo, mesmo que o minério não chegue com força à Bolsa, o consumidor pode esperar oscilações de preços dos produtos.

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— O novo modelo de preços por si só já provocou uma turbulência no mercado. Antes tínhamos um ano para fazer um planejamento, agora, são apenas três meses. Imagina se o minério chega à Bolsa — diz Marco Polo, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, frisando que o aço representa menos de 10% do preço da geladeira ou do carro.

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O executivo, no entanto, se mostra cético quanto à possibilidade de o minério de ferro ser cotado em Bolsa, pois as grandes siderúrgicas precisam de fornecimento firme para atender a seus mercados.

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Tanto o crescimento do mercado de derivativos como a mudança no sistema de preços do minério colocam em xeque o modelo tradicional de negociações, o chamado benchmark, em que conversas a portas fechadas entre mineradoras e siderúrgicas definiam os preços a cada ano.

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Por ser a maior produtora de minério de ferro do mundo, a Vale dava as cartas na mesa e era seguida pelas demais.

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China responde por 68% das importações mundias Tudo mudou em 2008. Com a crise econômica, a China sustentou a demanda global e começou a barganhar por cortes de preços. Em 2000, o país respondia por 16% de todo o minério de ferro importado no mundo. Em 2009, sua fatia havia sido ampliada para 68%. Paralelamente ao aumento do poder de barganha chinês, a produção siderúrgica despencou em 2008, levando à queda do preço do minério no mercado spot (à vista).

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Naquele ano, o reajuste do minério para contratos de longo prazo fora de 65%, para US$ 134 a tonelada, o que não mais refletia a realidade. As siderúrgicas chinesas, então, quebraram os contratos e foram ao mercado spot.

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Num beco sem saída, as mineradoras concordaram com corte de 28% em 2009. Mas o tiro saiu pela culatra e, em 2010, retomando poder nas negociações, as mineradoras forçaram a adoção de reajustes trimestrais.

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Para a Vale, o novo modelo “permite que as siderúrgicas saibam de antemão o preço no trimestre seguinte, facilitando controle de custos”. Na opinião de Paulo Camillo Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o sistema está em fase de maturação e “ainda é cedo para dizer” se ele vai evoluir para um modelo com cotações em Bolsa.

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O Globo

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