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Emprego: Demanda cresce em áreas tradicionais

30 de janeiro de 2013

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Profissionais de engenharia, administração e contabilidade serão as mais demandados pelas empresas em 2013, ao lado de carreiras mais recentes como especialistas em comércio eletrônico, sustentabilidade, mídias digitais e logística. Este é o prognóstico de especialistas em recursos humanos que partilham a visão de que o país deve apresentar maior crescimento econômico neste ano, revertendo um pouco o frustrante resultado do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012.

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A retomada dos investimentos das empresas e do governo, principalmente em obras de infraestrutura – rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e aquelas voltadas para os grandes eventos que o país vai sediar nos próximos anos – é que vai dar o rumo da temporada de caça a talentos.

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“Engenharia, em todas as modalidades, vai estar beneficiada pela demanda das obras de infraestrutura”, afirma Maíra Habimorad, sócia do grupo DMRH. Civil, minas, alimentos, elétrica e telecomunicações são as especializações da engenharia que têm encontrado mais espaço no mercado ultimamente. Com exigências de desenvolvimento sustentável cada dia maiores, os engenheiros ambientais também estão ganhando espaço nas empresas, completa Fernanda Campos, diretora executiva da Consultoria Mariaca.

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A maior demanda por profissionais de áreas tradicionais não é um movimento novo. Fernanda Campos explica que a área de engenharia tem sido bastante procurada pelas empresas nos últimos dois a três anos, como resposta a uma retomada após duas décadas de estagnação.

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“A engenharia está passando por um excelente momento”, concorda Carlos Henrique Figueiredo Alves, diretor-geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ). O Cefet forma, anualmente, cerca de 500 engenheiros e 700 técnicos nas áreas de mecânica, elétrica, automação industrial e informática para citar os principais entre os 22 cursos oferecidos.

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Instituição credenciada do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Promimp), metade dos alunos formados pelo Cefet/RJ são aproveitados no setor de petróleo e gás que tem grande carência de profissionais. “Os técnicos são os mais demandados e os salários são até compatíveis com atividades de nível superior, dependendo da empresa”, diz Alves. “Principalmente para os bons alunos, provavelmente será fácil encontrar emprego na área”, conclui.

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João Nunes, diretor da consultoria em recursos humanos Michael Page, alerta, porém, que apesar da esperada recuperação econômica, a queda no ritmo da atividade doméstica no ano passado e a crise econômica internacional também estão influindo nas decisões de contratação este ano. “Como não houve muito crescimento em 2012, aumentou a demanda por profissionais capazes de controlar custos e aumentar a eficiência das empresas, como controllers e especialistas na cadeia de suprimentos (supply chain)”, afirma.

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Nunes diz que profissionais para controladoria e cadeia de suprimentos – que mobilizam graduados em administração, ciências contábeis e economia – estão sendo especialmente procurados por filiais brasileiras de multinacionais americanas e europeias que precisam gerar no mercado local os lucros que não conseguem fazer na matriz. “Elas tendem a buscar profissionais capazes de gerar eficiência operacional”, completa o executivo.

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Além de obras civis, públicas e privadas, engenheiros e administradores são procurados também para a área de logística. “Com as obras do governo, a logística está mudando de ser um problema de custos para ser parte integrante da operação das empresas”, diz Fernanda Campos. Profissionais com visão empreendedora, agilidade, capacidade de trabalhar em equipe e de gerar valor agregado aos produtos e serviços e multifuncionalidade são exigências das empresas fazer contratações nessa área.

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A área de tecnologia é o destaque entre as carreiras mais recentes. Engenheiros e técnicos estão em alta nas áreas de comércio eletrônico, gestão de plataformas digitais e computação em nuvem (“cloud computing”), tanto na área de vendas quanto de pós-vendas.

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Em franca expansão diante da exigência de mercado por um braço “on line” que opere paralelamente à rede física, o setor de comércio eletrônico enfrenta um desafio que é a gestão da plataforma sob o ponto de vista do varejo. Não é fácil encontrar um profissional com esse perfil, afirma Maíra Habimorad, do DMRH. “Estamos falando de um conjunto de habilidades, uma pessoa especializada em tecnologia, com capacidade de programação, que tenha vindo do varejo e tenha conhecimentos de logística”, diz Maíra. “Dificilmente se encontra quem reúna tudo isso.”

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Muitas companhias que decidiram desenvolver internamente suas plataformas “on line” esbarraram na falta de profissionais. Há empresas especializadas que contratam quadros com esse perfil e fornecem o serviço para as cadeias de varejo. “Como é uma área muito carente, o mercado está disposto a contratar gente com potencial e formar internamente”, diz a executiva do DMRH.

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Outra carreira promissora na área tecnológica está relacionada a mídias digitais. Com atuação direta na internet, fazendo a ponte entre a empresa e seu público (consumidores, fornecedores, etc), o profissional geralmente é formado em marketing, jornalismo ou publicidade e propaganda, mas também é possível entregar a tarefa a engenheiros especializados em tecnologia. “Experiência em geração de conteúdo e plataformas populares são bastante exigidos para essa profissão”, diz Fernanda.

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As demandas por profissionais também variam de acordo com a região. Especificidades locais como realização de obras de infraestrutura, indústrias predominantes e nível de atividade econômica determinam não só a profissão mais procurada, como também salários e benefícios, explica Nunes, da Michael Page.

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Em sua pesquisa anual, que mapeia as profissões mais procuradas nas principais praças – capitais, regiões e interior de São Paulo- a consultoria identificou forte influência de determinados setores, que variam conforme a localidade.

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Em Belo Horizonte, os segmentos de mídias digitais, telecomunicações e mineração são os que predominam como empregadores para os que cursaram engenharia, geologia, administração e contabilidade, além de comunicadores para a produção de conteúdo. Em São Paulo, o mercado financeiro e as indústrias farmacêuticas, de serviços e equipamentos de saúde têm sido as mais ativas na busca por profissionais.

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No Nordeste, a procura tem sido maior por gerentes e diretores, além de engenheiros de obras e com ênfase na área de energia. “O Nordeste é um mercado dominado por grupos familiares que estão mais interessados em expandir seus mercados”, avalia Nunes. Segundo ele, nesse cenário, a maior dificuldade das empresas nordestinas é encontrar profissionais com conhecimentos e capacidade para conduzir a operação.

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“Há grandes investimentos industriais em andamento no Nordeste – automotivo, químico etc – que têm necessidade premente de profissionais para posições como gerentes de fábricas, de saúde, meio ambiente e segurança (SMS) e supervisão”, confirma Maíra Habimorad. Segundo ela, esses cargos acabam sendo mais bem remunerados já que as empresas não têm muitas alternativas. “Ou tiram do concorrente ou trazem de outra região, e as duas alternativas custam caro; ou forma internamente, o que demora”, completa.

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Segundo Fernanda Campos, além de profissionais para as obras de infraestrutura, os grandes eventos internacionais que o Brasil vai sediar até 2016 – Jornada Mundial da Juventude Católica, Copa das Confederações, Copa da Juventude, Copa Mundial da FIFA (2014) e Olimpíada (2016) – estão aquecendo a procura por profissionais das áreas de entretenimento, hotelaria e educação. Mão de obra para casas de shows, hotéis, restaurantes, bares, cursos de línguas, transporte etc. encontram crescente oferta de vagas.

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De forma ampla, tanto para diretores quanto para gerentes e analistas, a qualidade do conhecimento é cada vez mais valorizada, diz Fernanda Campos. “Uma boa graduação, em uma universidade com parcerias internacionais, pós-graduação no tema e manter-se constantemente atualizado são requisitos dos empregadores”, diz.

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Fonte: Valor Online

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