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Falta de energia e custo trabalhista ameaçam crescimento do Chile

16 de janeiro de 2013

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Em todo o Chile, uma série de empresas – de mineradoras de cobre a produtoras de celulose – foram forçadas a adaptar-se a custos operacionais mais elevados, especialmente de energia elétrica e de mão de obra. Os custos trabalhistas subiram 7% em relação a outubro do ano anterior, segundo um índice do governo que elenca apenas percentuais.

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Os preços da eletricidade na grade central saltaram 75% nos últimos seis anos. A demanda por energia e trabalhadores está em forte alta, num país cuja economia cresce em ritmo mais de duas vezes superior à média mundial.

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As dificuldades ameaçam desacelerar a expansão – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa média anual de 4,4% nos dez anos até 2011 – e estão frustrando o objetivo do governo de, em 2018, tornar-se o primeiro país desenvolvido na América Latina. Para isso, o Chile teria que atingir um PIB per capita de US$ 22 mil, acima dos atuais US$ 18,35 mil, segundo o presidente Sebastián Piñera.

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O aumento dos preços da eletricidade é impulsionado em parte por uma escassez de suprimento barato. O Chile, maior produtor de cobre do mundo, precisa dobrar sua capacidade de geração de eletricidade durante a próxima década, dos atuais 16,5 mil megawatts, segundo as empresas de mineração BHP Billiton e a estatal Corporación Nacional del Cobre, conhecida como a Codelco.

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Elas, e outras, planejam expansões da ordem de US$ 100 bilhões em minas de cobre e de ouro. Esse é o maior aumento de investimentos já previsto no Chile, onde a mineração é responsável por cerca de 15% do PIB. Joaquin Villarino, presidente do Consejo Minero, grupo lobista do setor de mineração, diz que as empresas terão de engavetar muitas iniciativas por causa da escassez de energia e de custos.

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A BHP e a Codelco pediram ao Estado que acelere as permissões para construção e operação de novas geradoras de energia.

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Até agora, esses pedidos não foram atendidos. O governo e os tribunais impediram dois projetos de grande escala desde que Piñera, empresário bilionário e ex-membro do Partido de Renovação Nacional, de centro-direita, assumiu o cargo em março de 2010.

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A francesa GDF Suez, com sede em Courbevoie, interrompeu seu projeto Barrancones, gerador de 540 megawatts, a pedido Piñera, em agosto de 2010, quando grupos ambientalistas manifestaram sua oposição. Em agosto de 2012, o Supremo Tribunal Federal suspendeu temporariamente a construção de uma usina a carvão para gerar de 2,1 mil megawatts, de iniciativa do bilionário brasileiro Eike Batista, e pediu um estudo de impacto ambiental mais abrangente.

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“Foi um erro, quando nosso presidente repentinamente decidiu que Barrancones não deve prosseguir “, diz o ex-presidente Ricardo Lagos, socialista. “Agora, nossa política energética não está muito clara, o que torna difícil para alguns (empresários) realizar investimentos com o Chile”.

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A despeito de todos os seus problemas, o Chile tem uma economia que seria invejável por muitos países. A situação fiscal do país está na rara posição de não ter nenhuma dívida líquida e de dispor de um fundo de riqueza soberana acumulado em 15 bilhões, construído com a venda de cobre e títulos do governo.

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O PIB chileno cresceu estimados 5,2% em 2012, mais que o dobro da média de todo o mundo, de acordo com analistas consultados pela Bloomberg.

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O consumo privado e os investimentos estão alimentando o crescimento, enquanto empresas de mineração compram equipamentos e os chilenos frequentam shoppings centers e viajam em férias, diz Joaquin Vial, o mais novo membro da diretoria do Banco Central do Chile, composta por cinco membros.

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A taxa de desemprego caiu para 6,5% em setembro, contra 7,4% um ano antes, enquanto os salários reais cresceram 3,3%, em setembro, em comparação com um ano antes, segundo dados governamentais.

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O peso chileno tem se valorizado – com alta de 8% em relação ao dólar nos primeiros 10 meses de 2012 – e a inflação em 2012 foi inferior a metade da média de 6,2% na América Latina, de acordo com analistas consultados pela Bloomberg.

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Apesar disso, o crescimento do Chile ameaça criar algum risco inflacionário, diz Vial. A escassez de eletricidade é uma grande preocupação, diz ele.

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Algumas empresas de energia no Chile estão postergando seus investimentos. A Colbun, empresa de energia com sede em Santiago e que detém 49% do projeto hidrelétrico HidroAysén, de 2.750 megawatts, anunciou em maio que desejava adiar o desenvolvimento de sua linha de transmissão, alegando falta de apoio popular.

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Protestos contra a HidroAysén em 2011 resultaram em centenas de prisões, depois que manifestantes marcharam no centro de Santiago manifestando-se contra possíveis danos da usina a rios e florestas na Patagônia.

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A ausência de usinas geradoras como Castilla e HidroAysén criarão gargalos na oferta após 2015, diz Hugh Rudnick, professor de engenharia elétrica na Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago. As empresas terão de operar geradores a diesel para atender a demanda, diz ele.

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Isso custaria quatro vezes mais do que a geração a partir do carvão, afirmou Rudnick.

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Os preços da eletricidade do país excedem em 61% a média compilada para 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A energia constitui 20% dos custos da BHP no Chile – três vezes o nível no vizinho Peru e nos EUA, diz Peter Beaven, diretor de metais básicos da empresa.

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Fonte: Valor Econômico

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