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Indonésia influencia cotações do níquel

10 de maio de 2012

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Os preços do níquel no mercado internacional, que caíram 12% na Bolsa de Metais de Londres (LME) desde fim de fevereiro, devem iniciar um movimento de recuperação. Os motivos da queda e das perspectivas de alta são os mesmos: mudanças nas regras comerciais na Indonésia, um dos maiores exportadores do mundo de níquel.

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Nesta semana, o governo do país anunciou medidas que punem produtoras. As empresas que não beneficiam o metal estão proibidas de exportar. Para as empresas que planejam construir unidades de beneficiamento, será imposta uma taxa de 20% sobre as exportações de uma série de minerais. Além do níquel, o ouro, a prata, a platina, o cobre, o chumbo, o zinco, o minério de ferro, o manganês e a bauxita estão entre os metais afetados pelas novas medidas. As companhias que beneficiam o níquel não serão afetadas.

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Já planejada pelo governo, a nova regra foi adiantada em dois anos e tem a intenção de impulsionar investimentos na produção local de matérias-primas de maior valor agregado, além de proteger o mercado interno do desabastecimento dos insumos. A iniciativa vai afetar cerca de um terço do total de exportação de metais da Indonésia.

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Grande produtor global de níquel, a Indonésia deve abalar principalmente a China com suas medidas. Sua produção de níquel representou 14% da global no ano passado. Cerca de 80% da demanda da China vem do país, segundo dados da consultoria Price waterhouseCoopers (PwC). Sem esse abastecimento, a China terá de importar de outros mercados, ou deve reduzir sua produção.

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O cenário de redução da oferta global de níquel já é um dos fatores de impulso das expectativas dos investidores com relação aos preços do metal. Os analistas do Deutsche Bank, em relatório, afirmam que não esperam grande declínio nas exportações nos próximos meses, mas no longo prazo “há uma forte possibilidade de que as vendas caiam, pois haverá tempo suficiente para o governo se organizar e aumentar a regulação”.

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Segundo levantamento feito pela Votorantim Metais, que utilizou a mediana das projeções de onze bancos, o preço do níquel deve fechar este ano nos US$ 19,786 mil por tonelada. Em 2015, a cotação chegará aos US$ 23,5 mil por tonelada. Ontem, o níquel fechou aos US$ 17,075 mil por tonelada, refletindo a queda que tem sofrido, que o aproxima dos preços dos cobrados na crise, em 2009.

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As projeções mostram também as expectativas de continuidade do crescimento da demanda mundial pela commodity. Segundo estudo feito pela consultoria britânica Brook Hunt, especializada em metais preciosos e de base, entre 2012 a 2017, a procura pelo metal crescerá 4% ao ano, puxada pela indústria de aço inoxidável chinesa. A produção na China do “pig iron” – uma liga de ferro-níquel de baixo teor de níquel, que surgiu de forma oportunista no país há cerca de cinco anos, quando o preço do metal atingiu recorde -, é dependente do minério importado das Filipinas e Indonésia. Esse produto é exclusivamente destinado aos produtores de aço inox chineses, que abastecem setores importantes como o de eletrodomésticos, automotivo, de construção civil.

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As incertezas do mercado diante das mudanças de regras na Indonésia estão entre as razões que fizeram com que os preços do níquel entrassem em franco declínio nos últimos meses. Do início do ano até agora, o metal caiu 6,46%. No acumulado de 12 meses, a queda soma 31%. “Diante da indefinição, muitos investidores simplesmente não estão dispostos a tomar riscos”, afirmou o analista do Standard Bank, Leon Westgate, em relatório recente.

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As pressões sobre as cotações dos metais são, sem dúvida, o efeito número um das medidas restritivas da Indonésia sobre o mercado global. Para o mercado brasileiro de níquel, esse deve ser, na verdade, o único efeito. “As exportações de minério de níquel da Indonésia são focadas na China, no Japão e na Austrália, não têm fluxo para o Brasil. Não teremos efeitos na produção brasileira”, afirmou em nota o Instituto de Metais Não Ferrosos (ICZ). Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil não importa minerais da Indonésia, com exceção do zircônio, que não está incluído nas novas medidas.

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A única empresa brasileira que tem operações de níquel na Indonésia é a Vale. A companhia tem minas a céu aberto e uma usina de processamento de níquel na Ilha de Sulawesi. Por meio da subsidiária PT International Nickel Indonesia TBK (PTI) – da qual a Vale detém 59,2%, a japonesa Sumitomo detém 20,3% e o governo indonésio detém 20,5% – a Vale processa o níquel em um produto intermediário que contém 78% do metal que, por sua vez, é embarcado para sua refinaria no Japão. “A Vale não está enquadrada na legislação, porque processa o produto”, afirmou a empresa em nota. A Votorantim Metais e a britânica Anglo American – outras importantes participantes desse mercado – não quiseram comentar o assunto.

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Fonte: Valor Econômico

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