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Indústria brasileira quer mostrar imagem ‘verde’ na Rio+20

15 de junho de 2012

rnRelatório da CNI apontam que empresas investem em ações sustentáveis. Ambientalistas confirmam avanços, mas ponderam que há mais a ser feitornA Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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Relatório da CNI apontam que empresas investem em ações sustentáveis. Ambientalistas confirmam avanços, mas ponderam que há mais a ser feito

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer passar na Rio+20 a imagem que a indústria brasileira é verde. A instituição mapeou 16 ações de diversos segmentos para provar que as fábricas brasileiras fizeram o dever de casa nos últimos 20 anos. O documento completo foi apresentado na manhã desta quinta-feira, durante o Encontro da Indústria para a Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, onde houve um debate. O presidente da entidade, Robson Andrade, chegou dizer que o problema ambiental brasileiro não está no seu setor, mas no governo e na sociedade.

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De acordo com o texto, as empresas investiram na inclusão de equipamentos e produtos menos poluentes e mais eficientes no consumo de energia. Alguns setores alcançaram patamares altos de reciclagem e são muitos os relatos de soluções para o aproveitamento de resíduos industriais.

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O texto indica, por exemplo, que o setor sucroalcoleiro é autossuficiente em energia, por fazer geração a partir do bagaço da cana, e cita a experiência do etanol brasileiro. Na cadeia do alumínio o destaque é a reciclagem de 97,6% das latas do país e que cada tonelada fabricada no Brasil gera 4,2 toneladas de CO2, contra uma média mundial de 9,7 toneladas por tonelada de alumínio.

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A CNI ainda indica que 100% da madeira utilizada para a fabricação de celulose no Brasil vem de florestas plantas e que, graças a chamada técnica da plantação em mosaico, o setor preserva 2,9 milhões de hectares de florestas nativa, caso semelhante ao que ocorre na indústria florestal. O setor têxtil, segundo a confederação, conseguiu neutralizar 100% de seus efluentes com tecnologias, como no uso da “desfibriladeira”. O setor de aço, por sua vez, comemora a recuperação de quase 98% das águas utilizadas em seus processos. Percentual semelhante foi obtido no setor de mineração.

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O levantamento aponta ainda que, apesar dos recentes episódios, a indústria brasileira de petróleo comemora que os derrames de óleo no país são, proporcionalmente, 20% menores que a média mundial. O setor químico, aponta a CNI, reduziu em 47% a emissão de gases do efeito estufa por sua nova matriz energética, baseada em gás natural. Já na indústria de elétrica e eletrônica já há quase quatro mil produtos com o selo Procel de eficiência energética, onde em alguns casos a redução de consumo chega a 60%, como no caso das modernas geladeiras. O setor também aboliu definitivamente em 2010 o CFC, gás que causa buracos na camada de ozônio. O mesmo ocorre no setor de máquinas e equipamentos, que busca a eficiência energética.

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As fabricantes de cimentos garantem que reutilizam anualmente 870 mil toneladas de resíduos como insumos energéticos e substituição de matéria-prima. O setor elétrico propõe a criação de um Selo de Energia Elétrica Renovável (pelo lado da produção) e de um Selo de Energia Elétrica Sustentável (pelo lado do consumo). A CNI indica que a indústria de alimentos tem investido em certificações e programas de responsabilidade ambiental, como o selo da indústria da pesca que não atinge os golfinhos. A confederação lembra ainda que os motores dos carros são mais eficientes e a indústria da construção, segundo o documento, também tem criados diversos projetos de construções verdes.

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Ambientalistas confirmam avanços, mas apontam que há mais a ser feito

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Os dados positivos do setor foram confirmados por ambientalistas. No entanto, eles ponderam que ainda muito precisa ser feito.

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— Realmente a indústria brasileira fez avanços incríveis, chegou a se antecipar aos países ricos na eliminação do CFC em geladeiras e lidera a reciclagem de alumínio. Mas ainda há muitas coisas a serem feitas, como o inventário de carbono. Poucas indústrias e setores sabem efetivamente o tamanho de suas emissões de gases do efeito estufa — afirmou Bazileu Alves Margarido, integrante do Instituto Democrático Sustentável (IDS).

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Ele afirma que as indústrias precisam ainda evoluir mais na eficiência energética e lembra que não há uma homogeneidade no setor, ou seja, embora se registrem avanços, alguns segmentos ou empresas ainda podem ter práticas pouco ecológicas.

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Mário Mantovani, do SOS Mata Atlântica, afirma que a indústria brasileira ainda tem uma imagem de poluidora que vem da década de 1970, quando o Brasil, na conferência de Estocolmo, adotou o discurso que preferia a poluição à pobreza. Ele lembra que desta época surgiram casos como o de Cubatão, em São Paulo.

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— Mas houve uma mudança muito grande. Poluição é sinônimo de desperdício de matéria prima e de energia. Hoje a indústria é muito mais eficiente, fez seu dever de casa — disse.

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Mantovani lembra que uma legislação mais rígida, controles sociais e, principalmente, o medo de riscos à imagem causaram esta alteração:

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— Quando fizemos uma série de denúncias sobre os poluidores do rio Tietê, em São Paulo, vimos a diferença de postura. As indústrias imediatamente buscavam uma solução, os governos não. Hoje não se vê notícias de indústrias despejando lixo na natureza, coisa que 80% dos municípios brasileiros ainda fazem — disse.

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Ele disse, contudo, que a situação ambiental do setor não está totalmente resolvida, pois novas tecnologias podem melhorar ainda mais a situação industrial.

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Fonte: O Globo

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