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23 de abril de 2012

rnA indústria brasileira de alumínio colhe bons frutos com a expansão econômica do país, mas pode enfrentar, no curto prazo, os riscos de um desenvolvimento sem controle. Beneficiada pelos fortes ventos que impulsion

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A indústria brasileira de alumínio colhe bons frutos com a expansão econômica do país, mas pode enfrentar, no curto prazo, os riscos de um desenvolvimento sem controle. Beneficiada pelos fortes ventos que impulsionam eventos esportivos e projetos de crescimento nas áreas de construção civil, eletricidade, transportes e bens de consumo, a demanda por alumínio só tende a crescer. No ano passado, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio foi de 1,4 milhão de toneladas, 8,2% a mais do que em 2010.

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A expectativa para este ano é de um aumento de 4,8%, atingindo o nível de 1,5 milhão de toneladas. Em contrapartida, a produção de alumínio primário dos cinco principais fabricantes (Albrás, Alcoa, BHP Bilton, Novelis e Votorantim Metais) caiu 6,2% – passou de 1,536 milhão de toneladas, para 1,440 milhão de toneladas. Em 2012, a previsão é de um acréscimo de 46,1 mil toneladas.

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“Estamos nos aproximando, perigosamente, do pico da capacidade de suprimento de alumínio primário da nossa indústria. Se o governo não estimular os investimentos em toda a cadeia de produção do alumínio, corremos o risco de passar, nos próximos anos, de exportador para importador de alumínio primário, e o pior, ver o nosso mercado interno abarrotado por todo tipo de produtos acabados do exterior, que estão entrando descontroladamente”, adverte Adjarma Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Alumínio (Abal).

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Os temores não são infundados, afirma. Os investimentos no setor de alumínio, que em 2006 estavam na faixa de R$ 5 bilhões, despencaram para R$ 2 bilhões.

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“Na área de suprimento de alumínio primário, a indústria sofre diretamente o impacto do custo de energia”, afirma. Em 2008, assinala o executivo, o Brasil chegou a produzir 1,860 milhão de toneladas de alumínio primário. “Neste ano, deveremos produzir 1,486 milhão de toneladas. É uma queda acentuada”, diz.

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Algumas indústrias, por conta de investimentos que fizeram na área de transformação nos últimos dois anos, ainda se mantêm em posição bastante competitiva. É o caso da Votorantim Metais-Companhia Brasileira de Alumínio (VM-CBA), que opera no município de Alumínio (SP) de forma totalmente integrada (processa a bauxita e fabrica produtos fundidos e transformados num mesmo local).

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Ela gera 80% de toda a energia que consome e atua hoje com capacidade de produção de 520 mil toneladas por ano, 450 mil toneladas de alumínio primário e 70 mil toneladas de produtos reciclados. “Temos nossa própria matéria-prima, uma boa localização, no Sudeste, que responde por 70% do consumo de alumínio, e continuamos crescendo a taxas de 7% a 8% ao ano, que é um ritmo típico de uma indústria chinesa”, diz João Bosco Silva, diretor-superintendente da VM-CBA.

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Metade de tudo o que a empresa produz hoje, de acordo com o executivo, é de produtos transformados. “Se o mercado interno crescer mais, vamos parar de exportar (hoje apenas 15% do total), transformar os produtos fundidos em transformados e investir mais na área de transformação. O objetivo é atender a clientela local”, diz.

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A Alcoa, outra grande integradora de alumínio no país, investiu fortemente nos últimos dez anos, aplicando cerca de US$ 5 bilhões nos projetos de expansão de sua unidade em São Luís (MA), na construção de uma mina de bauxita em Juruti (PA) e em quatro usinas hidrelétricas, que garantem à empresa cerca de 70% de autossuficiência na geração de energia.

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Seu faturamento saiu de US$ 1,6 bilhão em 2010 para US$ 2 bilhões em 2011. “Em 2011, US$ 280 milhões foram destinados à consolidação dos investimentos da companhia em expansão das operações e em energia elétrica. Para este ano, mesmo diante de um cenário mundial adverso no tocante à indústria do alumínio, estamos aplicando aproximadamente US$ 100 milhões no Brasil, dos quais US$ 60 milhões na Usina Hidrelétrica de Estreito”, informa Franklin L. Feder, CEO da Alcoa América Latina e Caribe.

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Basicamente uma empresa transformadora de alumínio, a Novelis também investiu pesado, recentemente, para atender à expansão do mercado doméstico. Nos últimos três anos, a empresa aplicou cerca de US$ 450 milhões para aumentar de 450 mil toneladas para 600 mil toneladas por ano a capacidade de sua unidade de produção de laminados de alumínio, em Pindamonhangaba (SP).

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É a maior fábrica da empresa no continente, que vai atender à crescente demanda por chapas de alumínio, principalmente no setor de bebidas, que aumenta 10% ao ano. “Estamos nos preparando para dobrar a capacidade de reciclagem de latinhas de 250 toneladas para 300 toneladas por ano, além de abrir uma nova linha de produção para tampas de latas de refrigerantes”, indica Marco Antonio Palmieri, presidente da Novelis para a América do Sul.

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As apostas da indústria no crescimento não escondem as preocupações. “O Brasil se transformou num país caro para se produzir”, resume Palmieri. “O custo de energia, da mão de obra, por exemplo, subiram muito nos últimos anos. E a infraestrutura logística, de estradas e portos, é deficitária, além de termos uma carga tributária complexa e pesada”, afirma. Estudos realizados pela Abal mostram que o preço da energia média, mundial, para a produção de alumínio é de US$ 40 por MW/h, enquanto no Brasil esse valor é de US$ 58 por MW/h.

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Segundo Feder, há alguns anos os contratos de compra de energia que a Alcoa tinha no Brasil estavam entre os melhores custos da companhia no mundo. Hoje, certamente, estão entre os mais caros, indica.

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Há desvantagens tarifárias também. A tarifa de proteção às importações no Brasil está alinhada aos países mais competitivos, em torno de 12%. “Mas os produtores nacionais têm que pagar PIS e Cofins”, diz João Bosco, da VM.

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Fonte: Valor Econômico

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