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Mulheres pegam no trabalho pesado

8 de março de 2013

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Os tempos mudaram e, hoje, não é mais raro ver mulheres em cargos antes ocupados somente por homens. Entre o vai e vem das máquinas nas minas espalhadas por todo Estado, elas podem ate passar despercebidas, mas trabalham ferrenhamente nos mais diversos cargos e não deixam a desejar.

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Nascida em Entre Rios de Minas (Campos das Vertentes), Débora Bernardes sonhava desde criança em ser motorista de caminhão. “Meus pais e meus irmãos eram motoristas de caminhão e eu sempre sonhei com isso. Meu marido também já teve um caminhão e isso me dava ainda mais vontade de dirigir o veículo” afirma. No entanto, a atenção aos três filhos fez com que ela adiasse esse sonho.

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Somente há cinco anos ela tirou a licença para dirigir caminhão e há um ano e três meses exerce a função dentro da mina Viga, da Ferrous Resources do Brasil, em Conginhas (Campos das Vertentes). “Depois que minhas filhas cresceram um pouco eu consegui investir na profissão”, explica. “Primeiro trabalhei como motorista de Kombi, por três messes, mas
eu queria mesmo era caminhão e há um ano e três meses, estou trabalhando na função”, completa.

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Débora Bernardes aruá no transporte do minério de ferro da mina para o britador. Ela
confessa que no início sentiu um pouco de desconfiança por parte dos colegas de trabalho. “Mas hoje eles acham supernormal e é muito tranquila a nossa convivência”, garante. A
Ferrous já conta com 163 mulheres que trabalham nas minas Viga e Esperança, esta última em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), além dos escritórios administrativos.

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A coordenadora de recursos humanos da Ferrous na mina Viga, Elisângela Oliveira, afirma que existem mulheres nas mais diversas funções dentro da mina. “Motoristas de caminhão são três, mas também temos mulheres nos laboratórios, no posto de combustível e na balança, alem da área administrativa”, diz. Ela garante que elas têm a mesma habilidade dos homens. “Não faz a menor diferença ser homem ou mulher nessas funções”, afirma.

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Elisângela Oliveira reconhece que há alguns anos as mulheres sofriam preconceito por estarem atuando em um ambiente predominantemente masculino, mas destaca que hoje não existem problemas desse tipo. “Não temos relatos de falta de respeito ou coisas desse tipo, pelo contrário, eles têm um cuidado até maior com elas”, observa.

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Jordana Cristina Cota nasceu em um dos distritos de Mariana (região Central), uma das
principais cidades mineradoras do Estado. Ela entrou em uma mina pela primeira vez aos dez anos de idade, quando participou de uma visita de escola a uma empresa região. Naquele
mesmo dia, avisou aos pais e irmãos que já sabia o que queria fazer quando crescesse: dirigir uma daquelas máquinas enormes.

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Aos 21 anos, com diploma de técnica em mineração e a carteira de habilitação em mãos, Jordana Cristina Cota já operava escavadeiras em São Gonçalo do Rio Abaixo (região Central). Ela ainda trabalhou em uma mina de ouro em Goiás e na construção de uma hidrelétrica em Três Rios, no Rio de Janeiro, sempre em escavadeiras.

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Perfuratriz – Há pouco mais de quatro anos, ela foi contratada pela Samarco para operar uma perfuratriz. O equipamento de grande porte não assustou Jordana Cristina Cota, que se tornou a primeira mulher a trabalhar com perfuratriz no Brasil. O trabalho dela consiste em furar os espaços onde são encaixados os explosivos para desmonte das rochas e exige grande precisão e habilidade.

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O susto inicial dos colegas, todos os homens, se transformou em apoio pela coragem e em
boa vontade em ensinar os meandros de trabalho. Ela garante que sempre teve um bom relacionamento com outros operadores e nunca passou por uma situação de discriminação ou preconceito no dia a dia.

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A mesma reação positiva veio da família, já com tradição na condução de grandes máquinas. Os pais são agricultores, mas dois irmãos são caminhoneiros: um trabalha no setor de mineração e uma irmã é operadora de escavadeira em uma empresa que presta serviços para grandes mineradoras
da região de Mariana.

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“Todos sempre me apoiaram e têm muito orgulho do meu trabalho. Inclusive,foi minha irmã quem me falou da oportunidade para operar escavadeiras em Barão de Cocais (região Central), que se tomou meu primeiro emprego na área”. diz. Os grandes equipamentos continuam nos planos de Jordana Cristina Cota para o futuro. A operadora pretende fazer uni curso de instrutora de
máquinas para ensinar os futuros interessados, ou interessadas. em ingressar na profissão.

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Afiadora de brocas — Miriele Lima, de 27 anos, foi contratada pela AngloGold há dois anos e seis meses para trabalhar no controle de estoque de material. Depois de seis meses na função, ela recebeu urna proposta do coordenador da área: assumir o cargo de afiadora de brocas Ela não titubeou em aceitar e neste mês fazem dois anos que ela exerce a função.

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“No início não foi fácil, principalmente pela aceitação dos colegas, mas com a convivência do dia a dia eu fui conquistando meu espaço e hoje é muito tranquilo”, afirma. Ela trabalha na mina Córrego do Sítio, da AngloGold, em Santa Bárbara (região Central), cidade onde nasceu.

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Miriele Lima trabalha em escala de turnos alternados. Mesmo assim, ela garante que consegue conciliar o trabalho com os cuidados aos dois filhos.

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Fonte: Diário do Comércio – Belo Horizonte – MG

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