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País fica inviável para novas siderúrgicas

4 de julho de 2012

A notícia de desistência de construção de uma siderúrgica no Brasil pela chinesa Wuhan Iron & Steel, em parceria com o grupo EBX, agitou o mercado brasileiro ontem e acendeu uma luz amarela no país sobre s

A notícia de desistência de construção de uma siderúrgica no Brasil pela chinesa Wuhan Iron & Steel, em parceria com o grupo EBX, agitou o mercado brasileiro ontem e acendeu uma luz amarela no país sobre sua competitividade para instalação de novos projetos de aço, em especial os voltados para exportação. O Brasil desponta como o país de maior custo de instalação de usinas siderúrgicas à base de minério de ferro e carvão, ficando longe de China, Índia e Rússia.

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O projeto, de US$ 5 bilhões, em uma área do porto do Açu, no Norte do Estado Rio de Janeiro, que é operado pela LLX, teria perdido viabilidade econômica devido a custos elevados de logística, transporte ferroviário e fornecimento de carvão mineral à usina. Foi desenhado, conforme pré-acordo firmado em 2009 com Eike Batista, para produzir 5 milhões de toneladas por ano de placas (aço semi-acabado) destinadas à exportação.

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Com os alto-fornos rodando a uma capacidade ociosa de 30% e o maior investimento do grupo alemão ThyssenKrupp, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) posta à venda por não dar retorno, investir na expansão do parque siderúrgico nacional vem se tornando um negócio caro e de risco. A usina da Thyssen, que custou cerca de US$ 8 bilhões (média de US$ 1.600 a tonelada), conforme dados de analistas, não tem perspectiva de gerar lucro para seu controlador antes de 2015.

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Desde que entrou em operação, em 2010, a CSA só gerou prejuízos. Segundo publicou o Valor na semana passada, no ano fiscal 2010/2011, a empresa teve perda de R$ 7,97 bilhões. O grupo alemão fez um “write-off” de € 4 bilhões no investimento envolvendo a CSA e uma laminadora no Alabama, EUA, para tentar vender os dois ativos. O valor estimado para os dois ativos é de € 2,7 bilhões na conta do Citigroup.

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Dos cinco projetos novos conhecidos no país – Wuhan, Ternium (ambos no porto do Açú), Pecém (Ceará), Alpa (Pará) e Ubu (Espírito Santo) -, apenas a Companhia Siderúrgica de Pecém, uma associação da Vale com as coreanas Posco e Dongkuk está saindo do papel. Entretanto, a um custo de instalação de US$ 1.700 a tonelada, dobro dos US$ 800 estimados cinco anos atrás, quando se tomou a decisão de fazer a usina. O investimento é de US$ 5 bilhões.

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A Alpa, em Marabá, totalmente da Vale, está dependente da construção de infraestrutura logística – porto e via fluvial no rio Tocantins – pelos governos federal e estadual. Já o projeto de Ubu, também desenhado pela mineradora de ferro brasileira, ainda está à procura de um parceiro externo. No atual cenário de excesso de capacidade mundial de produção de aço, Europa fundada em crise, desaceleração da economia chinesa e EUA ainda saindo lentamente da crise de 2008, mais custos elevados do Brasil para novas usinas de aço, parece uma tarefa complicada.

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Conforme dados discutidos por especialistas locais e internacionais do setor na semana passada em São Paulo, nenhum projeto de siderúrgica integrada no Brasil sai hoje por menos de US$ 1,7 mil a US$ 1,8 mil a tonelada. Na Índia, o valor fica em US$ 1 mil, enquanto na China, um ponto fora da curva, para baixo, – tem subsídios e incentivos do governo – fica em US$ 550. Estima-se que na Rússia, outro país detentor de jazidas de minério de ferro (considerado um fator de vantagem competitiva), esteja na mesma faixa do custo indiano.

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Nesse portfólio de projetos do Brasil, os que correm mais risco de morrerem no papel são justamente os do Açu. O projeto da Wuhan teve o memorando de entendimentos assinado em 2009 e ainda está pendente da conclusão do estudo de viabilidade. Na LLX não se informa o estágio de desenvolvimento do negócio. A empresa de Eike não confirmou nem desmentiu, oficialmente, a desistência da siderúrgica chinesa. O Valor que a LLX não recebeu nenhum comunicado da Wuhan.

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O projeto da Ternium teve as licenças ambientais prévia e de instalação concedidas pelo Inea cassadas pelo Ministério Publico do Rio de Janeiro (MPRJ) em abril. Uma fonte próxima do grupo Techint /Ternium disse que, dependendo dos entendimentos, o projeto pode ser retomado ou não. A decisão do grupo para ior adiante ficou mais complicada após comprar por R$ 5,1 bilhões 27% do capital votante da Usiminas no início do ano. Sua estratégia pode ganhar novo rumo diante do cenário mundial.

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Segundo relatório do Credit Suisse, a indústria do aço no país perdeu competitividade depois da crise de 2008 devido à valorização do real frente ao dólar, dos altos custos de mão de obra e das elevadas taxas de juros, mais peso da carga tributária sobre a produção e sobre o investimento durante a obra, além de outros custos, com destaque para energia. No curto e médio prazos não são se vê expectativas promissoras as usinas brasileiras, dado o excesso de oferta de aço no mundo e os baixos preços do produto.

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Estudo de consultoria Booz, encomendado em 2010, apontava carga tributária, custo de mão de obra, câmbio e tributação sobre investimento como fatores que colocam o Brasil no topo da lista de países de custo mais caro, comparado com Alemanha, Rússia, EUA, Turquia e China.

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Mesmo com a valorização do dólar no Brasil, ainda há pouco espaço para aumento de preço do aço no mercado interno e de recuperação de margem de ganho para as siderúrgicas locais. A margem de ganho tem migrado para mineração, devido a alta das matérias-primas como carvão e minério de ferro. Na avaliação do Credit Suisse, as empresas têm de trabalhar para retomar a competitividade na reforma da lei trabalhista e tributária, aumento da eficiência das usinas (investimentos em autosuficiência de matéria-prima e energia), entre outras medidas.

 

Fonte: Valor Econômico

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