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Pequenas mineradoras ganham espaço no Pará

5 de março de 2013

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O Pará é destino de volumosos montantes de investimentos de grandes mineradoras como Vale e Anglo American. Porém, as pequenas empresas do ramo, as chamadas junior companies, também estão de olho nesse filão e têm investido significativas cifras para explorar jazidas que não interessam às mineradoras maiores. De acordo com cálculos do governo local, investidores estrangeiros – principalmente canadenses – estão aportando em torno de US$ 100 milhões em terras paraenses apenas para a fase de sondagem. Os minérios mais visados são ouro, níquel e cobre. 

“As minas menores e menos lucrativas têm sido alvo de juniores provenientes principalmente do Canadá e da Austrália. Estas companhias descobriram no Pará pequenos depósitos que não são interessantes para grandes companhias”, afirmou ao DCI o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) do Pará, David Leal. As junior companies têm mais agilidade para atuar em pesquisas de áreas a serem exploradas. 

“Esse tipo de empresa é mais dinâmica e tem como objetivo principal a prospecção mineral. São mineradoras muito mais rápidas e que podem lucrar até 20 vezes a mais que seu investimento”, afirma o especialista em mineração e professor do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), Juarez Fontana. Ele ressalta que as junior companies até podem desenvolver economicamente uma mina, caso seja detectada a presença de minério na área, mas geralmente fazem somente a prospecção (com altos investimentos) e posteriormente lucram com a venda da participação total ou parcial da mina. 

“As juniores não podem ser consideradas especuladoras, pois fazem altos aportes a risco pleno”, diz Fontana. O professor ressalta que essas empresas que atuam amplamente no Brasil geralmente captam recursos em bolsas de valores. “Elas geralmente estão listadas no pregão de Toronto ou Vancouver, no Canadá”, explica. 

Leal destaca ainda que o levantamento do número de empresas de pequeno porte que estão atuando no Estado ainda não foi concluído, mas estima-se que sejam mais de 10. “Os investimentos em prospecção e pesquisa mineral variam muito, mas quando atingem a fase de sondagem, chegam a dezenas de milhões de dólares”, diz. Este período se caracteriza quando a empresa dimensiona com maior precisão a reserva de minério existente. 

Os aportes previstos para a mineração brasileira de 2012 a 2016 são de US$ 75 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), dos quais US$ 28 bilhões devem ser direcionados somente à região da Amazônia para implantação e expansão de projetos minerais. Além desse volume de investimentos, empresas canadenses e australianas enxergam no Pará um enorme potencial para a atuação das juniores. 

O minério mais visado, segundo o secretário de governo do Pará, é o ouro. Porém, o interesse vem aumentando também pelo cobre e níquel, ambos de alto valor agregado. Enquanto a tonelada do minério de ferro – principal produto mineral exportado pelo Brasil – custa cerca de US$ 150, hoje o mesmo volume de cobre não sai por menos de US$ 7,5 mil. 

Leal estima que as jazidas de pequeno porte de ouro do Pará têm uma ordem de grandeza em torno de 1 a 2 milhões de onça troy (de 31 a 62 toneladas). Já as reservas de cobre são pelo menos duas, de acordo com Leal, e níquel, pelo menos cinco, e todas têm ordem de pequena e média jazidas. 

O outro lado da moeda 
De acordo com o governo do Pará, as empresas brasileiras participam da exploração de pequenas jazidas minerais no Estado apenas como concessionários no contrato de risco, o que confere uma reduzida participação em forma de royalties. 

Para Fontana, esse fato se deve à falta de incentivos do governo federal para alavancar a participação de pequenas empresas brasileiras nos processos de prospecção e exploração mineral. “Não existem juniorcompanies no Brasil. As pequenas pagam os mesmos tributos que gigantes como a Vale, e por isso não conseguem competir com as estrangeiras”, diz o especialista. 

“Enquanto o governo não separar as juniores das grandes mineradoras, não existirá esse tipo de empresa no País. A atividade ilegal continuará existindo na forma dos garimpeiros”, diz Fontana. Ele ressalta que a atuação de mineradoras estrangeiras no Brasil não é um ponto negativo. “As juniores são dinamizadoras do setor em qualquer parte do mundo. Uma vez que investem no País e se submetem às regras locais, passam a ser tão nacionais quanto às brasileiras”, diz Fontana. 

O professor afirma ainda que uma vez detectadas áreas com grande potencial mineral, é natural que os olhos do mundo se voltem para o País, como é o caso do Estado do Pará. No entanto, o fluxo de capital é muito volátil. “Hoje, a cotação dos metais básicos está em alta. Quando estiver em baixa, os investimentos vão para outras áreas”, explica Fontana.

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Fonte: DCI

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