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Sem infraestrutura, indústria perde mercados

19 de fevereiro de 2013

Obaixo crescimento da economia brasileira no ano passado foi em grande parte explicado pelo fraco desempenho da indústria (retração de 2,7%). Tanto a de transformação como a que fabrica máquinas e equipamento

Obaixo crescimento da economia brasileira no ano passado foi em grande parte explicado pelo fraco desempenho da indústria (retração de 2,7%). Tanto a de transformação como a que fabrica máquinas e equipamentos, os chamados bens de capital, recuaram, com apenas alguns segmentos de ambos os setores conseguindo registrar sinal positivo na curva de produção. Em 2013 espera-se uma recuperação, ainda assim tímida em relação ao potencial do mercado doméstico. Não é exatamente por falta de demanda que a indústria tem apresentado um desempenho aquém das expectativas. Fatores alheios às empresas contribuíram, mas esse quadro até melhorou com o câmbio menos valorizado, taxas de juros mais alinhadas ao mercado internacional e razoável oferta de crédito. A indústria se ressente da oferta limitada de mão de obra qualificada e sofre com os gargalos na infraestrutura. Mas empresas de outros ramos enfrentam os mesmos problemas, e ainda assim não se retraíram.

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A questão parece ser mais complexa. Enquanto não se tem um diagnóstico mais preciso, o governo tem procurado incentivar a indústria estimulando a demanda, com a desoneração de tributos ou oferta de crédito para investimentos por meio dos bancos oficiais. A economia brasileira como um todo investe pouco. Em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de investimento estaria na faixa de 18%, o que põe o país no fim da lista das nações que se destacam no ranking das inversões públicas e privadas (112º lugar numa lista de 120 economias).

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No entanto, até bem pouco tempo, ao se detalhar essa taxa, era possível observar que especificamente no que se referia a máquinas e equipamentos a indústria brasileira tinha um patamar de investimentos equiparável até mesmo ao de países asiáticos. O que teria acontecido, então? Como não se trata de um fenômeno isolado, mas do conjunto da indústria, a perda de competitividade do setor não deixa de ser reflexo das contradições da política econômica. O governo começou a apostar no intervencionismo estatal e minou os fundamentos que vinham sustentando a retomada da economia brasileira.

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A indústria perdeu posição relativa nas exportações brasileiras, especialmente para mercados que eram nossos tradicionais compradores de manufaturados, como os Estados Unidos e a Argentina. As vendas de produtos básicos sem dúvida deram um salto, pois nem mesmo o custo Brasil foi capaz de anular a enorme vantagem comparativa que o país ainda ostenta na agropecuária e na mineração, por exemplo. Mas indústria não conta com essa margem.

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No passado, o câmbio desvalorizado serviu de muleta para equilibrar deficiências estruturais da economia. Não é possível recorrer a esse recurso indefinidamente pelos efeitos negativos que acarreta (inflação). O caminho mais correto é uma expansão substancial nos investimentos em infraestrutura.

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Fonte: O Globo

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