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Vale está otimista, diz José Carlos Martins em entrevista à Folha

23 de janeiro de 2013

rnMaior produtora mundial de minério de ferro, a Vale antevê perspectivas melhores em 2013, apesar de prever um período de “grande volatilidade” no preço do minério.Passado o momento crítico que derrubou a c

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Maior produtora mundial de minério de ferro, a Vale antevê perspectivas melhores em 2013, apesar de prever um período de “grande volatilidade” no preço do minério.

Passado o momento crítico que derrubou a cotação para US$ 90 a tonelada, em setembro passado, a previsão da Vale é que o preço de seu principal produto oscile na faixa de US$ 110 a US$ 180, embora tenda a ficar mais perto do limite inferior.

O produto é o maior gerador de receitas da Vale, que, por isso, tem uma forte dependência do vaivém das cotações. Tal cenário foi traçado pelo diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da empresa, José Carlos Martins, em entrevista à Folha.

Considerado o segundo executivo mais poderoso da empresa, depois do presidente, Martins vê uma retomada da China e ao menos uma estabilidade nas demais regiões, o que tende a sustentar os preços.

Com a liderança na produção de minério de ferro ameaçada pela anglo-australiana Rio Tinto, que tem investido pesado na Austrália, a Vale sofre, diz ele, com a obtenção de licenças ambientais, o que manteve a extração praticamente estagnada desde 2007.

Isso começou a mudar no ano passado, quando a mineradora conseguiu destravar cem licenciamentos parados.

Folha – Qual é a previsão para o preço do minério neste ano? A atual fase de retomada se manterá?

José Carlos Martins – Há uma volatilidade, mas dentro de uma banda. E essa banda flutua de acordo com o custo dos produtores menos competitivos, na faixa de US$ 100 e US$ 110 a tonelada. Toda a vez que a oferta aumenta, o preço desce abaixo desse nível e os produtores de alto custo saem do mercado. Daí, o preço se ajusta para cima.

Nos últimos três anos, o preço máximo no trimestre foi de US$ 180, e o mínimo, de US$ 110. A tendência do preço é ficar nessa faixa.

Quando chega a US$ 180, o movimento é o inverso: as siderúrgicas de alto custo reduzem a demanda, e o preço é reduzido. Depois, o preço volta. Mas há uma média de US$ 130 a tonelada.

No ano passado, também foi essa média. A nossa expectativa é que o preço vá continuar muito volátil, mas com tendência a se localizar na parte inferior dessa faixa.

Mesmo com a possível recuperação da economia chinesa?

A China está bem. Nunca teve problema. Quem tem são os outros. No ano passado, apesar de tudo, a produção de aço na China cresceu 3%, e a importação de minério, 8%. A Vale atingiu níveis recordes de venda de minério para China no ano passado.

Eles anunciaram crescimento de 7,8% [do PIB em 2012], com aceleração [no último trimestre], o que indica que o comportamento deve ser melhor em 2013.

Fora a China, o cenário não melhorou, mas, ao menos, não piorou. A gente está com um viés melhor de desempenho da economia global. Isso tende a se refletir no mercado de aço e de minério de ferro.

Estamos moderadamente otimistas. Do ponto de vista da empresa, fizemos ajustes e esperamos um desempenho operacional melhor.

O sistema de preços baseado no mercado de oportunidade (“spot”) da China e com ajuste trimestral [em vez de anual] foi bom para a Vale?

Existe mais volatilidade dos preços, mas nossa avaliação é que o sistema de preço móvel permite ajustes mais rápidos. Faltou minério, o preço subiu. É um mecanismo mais fiel à economia de mercado. Há um ajuste rápido da produção à demanda, embora introduza mais volatilidade e incerteza.

A nova mina de Carajás que está em instalação pode trazer uma superoferta de minério e derrubar os preços?

Temos de colocar isso dentro do aspecto de competitividade. Esse nosso projeto tem custo muito competitivo. A nossa estratégia é manter a liderança nesse mercado.

Desde 2007, não conseguimos aumentar a produção, que está estável na faixa de 300 milhões de toneladas ao ano. A gente perdeu mercado nesse período. Então, nada mais natural do que tentar recuperar esse mercado.

Nessa faixa de preço de US$ 110 a US$ 180 a tonelada, o nosso produto é muito competitivo. A gente acredita que não tem problema de mercado e rentabilidade. Não estamos preocupados com o lado da oferta.

A preocupação é manter baixo custo e competitividade. Temos absoluta certeza de que esse minério encontra mercado.

Na crise de 2008 e 2009, não tivemos problema em colocar o minério de Carajás. Não acredito que irá haver superoferta nos próximos anos.

O mercado cresce de 50 milhões a 60 milhões de toneladas por ano. Mais 60 milhões a 70 milhões toneladas se esgotam a cada ano [em minas obsoletas]. Todos os anos são necessários, portanto, de 100 milhões a 120 milhões de toneladas de nova capacidade.

Ou seja, o S-11D [nova mina de Carajás] atende só um ano de crescimento do mercado.

Qual é a situação atual?

Hoje estamos próximos do equilíbrio porque a China está crescendo menos. É um fato. E a situação fora da China não está brilhante. Caiu a demanda de aço na Europa e no Japão, e os EUA andam de lado. Mas, mesmo num ano que não foi uma maravilha, a demanda cresceu.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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