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Volatilidade vai dominar negócios do setor em 2013

30 de janeiro de 2013

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Em um contexto de crise global, a volatilidade vai dominar os negócios no setor de mineração em 2013 e as companhias têm que se preparar para uma nova onda de fusões e aquisições. A avaliação é de Eduardo Raffaini, sócio-líder de mineração da Deloitte, que assina relatório recém-lançado pela consultoria intitulado “Rastreando as tendências”. “Vai ser um ano mais de aquisições e de parcerias do que de fusões. Não vejo grandes fusões nos próximos três anos”, disse.

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O relatório aponta o fim do superciclo das commodities minerais e metálicas e avalia que agora as mineradoras vão ter que se mover num ambiente onde a volatilidade e a incerteza da demanda é a norma além de terem que lidar com governos mais nacionalistas determinados a protegerem os recursos naturais locais. “Os governos continuam na tentativa de manter controle sobre os recursos nacionais, principalmente em países como Guatemala, Guiné, Namíbia, Mongólia, Indonésia e Zimbabwe. Esses países estão exercendo uma forma própria de nacionalismo de recursos”.

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Para Raffaini, esta é uma tendência em curso e tudo indica que vai se consolidar nos próximos dois a três anos. Ele lembrou ainda a questão das taxas e royalties incidentes sobre a exploração mineral. “Essa não é uma questão só de país desenvolvido ou subdesenvolvido. A própria Austrália tem uma combinação de imposto e taxa de carbono que tem um potencial de jogar para baixo o lucro das corporações e interferir na viabilidade dos projetos”.

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Para o executivo, a caça ao lucro das mineradoras pelos governos trás um risco aos grandes investimentos. “Nesse caso, recomendamos que as empresas busquem parceiros para minimizar riscos, principalmente nos países africanos (África do Sul, Gana, Costa do Marfim, Zâmbia) onde o risco maior é de instabilidade política”. Além de selecionar parcerias, a Deloitte, segundo Raffaini, propõe que as empresas diversifiquem o número de países onde atuam para evitar a concentração de seus negócios. Recomenda ainda negociações com os governos, principalmente de regulação (que beneficie as duas partes) e lobby. No Peru, isso foi possível. “Estabelecer relacionamento com a sociedade é fundamental para o sucesso dos negócios”.

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A questão dos altos custos da mineração, devido à inflação dos custos de equipamentos e serviços, do câmbio volátil em vários países como Austrália, Canadá, África do Sul e América Latina, mais exigência por salários e bônus mais altos é apontada como pontos importantes no setor no relatório. Para conter custos, as mineradoras vão ter que melhorar a eficiência operacional, racionalizar gastos e compartilhar custos com outras indústrias, diz.

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Incerteza na demanda é outro ponto realçado pela consultoria. É preciso gerenciar a incerteza da demanda e ficar de olho em indicadores contraditórios que ampliam a volatilidade. Um acontecimento na China, por exemplo, tem um efeito desproporcional no resto do mundo. Uma atividade mais lenta no país afeta os preços das commodities, o que causa estresse nas mineradoras “que se atrelaram ao voraz apetite chinês”. A consultoria recomenda fazer uma otimização do portfólio.

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A tendência de desacelerar projetos de capital vem se fortalecendo entre as mineradoras, avalia Raffaini. O relatório ressalta que as companhias têm se envolvido em projetos que não são bem avaliados, excedendo os orçamentos. “É uma questão de competência. As mudanças no cenário da mineração têm levado as companhias a se tornarem mais cautelosas e elas vêm reduzindo o fluxo do dinheiro e focando em investimentos em projetos com alta margem de ganho e vendendo ativos fora dos negócios eleitos como principais”.

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Diante do atual cenário, a consultoria diz que a melhor performance vira da melhor alocação de capital, racionalização dos projetos, renegociação de contratos de energia e participação em parcerias para diversificar o risco. “As companhias têm que se preparar para uma tempestade de fusões e aquisições”, alerta.

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A consultoria lembra que, no ano passado, o mercado de capitais se deteriorou e os investidores não querem mais pôr recursos em ativos em desenvolvimento. Falta capital para as mineradoras levarem avante seus projetos, o que deverá influenciar na mercado de fusões e aquisições Como ocorreu no setor de ouro em 2012″, aponta a Deloitte.

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Para Raffaini, a tendência é que as mineradoras busquem capital na Ásia e associações em seus projetos com parceiros não convencionais, como fundos soberanos e fundos de private equity”. Ele destaca que, no processo de parceria, as partes de infraestrutura dos projetos de mineração, como ferrovia e porto, são as mais procuradas pelos potenciais parceiros das mineradoras, que atuam como sócios estratégicos. Segundo o relatório da Deloitte, o governo chinês tem encorajado as companhias locais a adquirirem ativos no exterior.

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Fonte: Valor Online

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