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Chineses são candidatos a levar CSA

16 de maio de 2012

Um grupo siderúrgico chinês pode ser o mais cotado para adquirir o controle da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Brasil, de propriedade do grupo alemão ThyssenKrupp AG, avaliam fontes da indústria do

Um grupo siderúrgico chinês pode ser o mais cotado para adquirir o controle da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Brasil, de propriedade do grupo alemão ThyssenKrupp AG, avaliam fontes da indústria do aço e analistas do mercado ouvidos pelo Valor. Essa possibilidade foi apontada após o grupo alemão anunciar ontem, em comunicado, a decisão de colocar à venda sua usina instalada no Rio de Janeiro, alegando dificuldades com o aumento dos custos de produção no país. A usina laminadora do Alabama (EUA) também deve compor o pacote.

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O presidente-executivo da multinacional, Heinrich Hiesinger, adiantou que a Thyssen pode oferecer a CSA para a própria Vale, sua parceira minoritária na empresa e a possíveis compradores na Ásia. A Vale, segundo apurou o Valor, não pretende vender sua fatia acionária de 26,81% na empresa. Na visão do mercado, dificilmente a mineradora vai se interessar pelos 73,19% do grupo alemão, pois siderurgia não é seu foco e esse setor vive um momento de baixos resultados mundialmente, com excesso de oferta de aço e crise na zona do euro.

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Oficialmente, a Vale informou que não foi ainda comunicada da decisão do grupo alemão e não quis comentar o assunto.

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Na análise de executivos da siderurgia e dos analistas do setor, o fato de a CSA ser sócia da Vale e ter um contrato de fornecimento de minério exclusivo com a mineradora até 2024 – ou seja, nos próximos doze anos – pode ser um complicador para a venda do controle da companhia. No mercado interno, a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) até se interessaria pelo negócio, pois tem minério de ferro, mas enfrenta a barreira da Vale, que supre a CSA. No caso da argentina Ternium, que comprou recentemente a Usiminas, a avaliação é que já gastou seu dinheiro na aquisição. A ArcelorMittal, com presença no país, está desinvestindo devido as dificuldades que vem enfrentando no mercado europeu e à sua dívida de quase € 25 bilhões.

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Diante desse cenário, os chineses são apontados como potenciais compradores desse ativo.

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Há algum tempo, as usinas da China tentam entrar no mercado brasileiro, sem sucesso. A Baosteel, maior siderúrgica chinesa, já tentou duas vezes instalar uma usina no país em parceria com a Vale, primeiramente no Maranhão e depois no Espírito Santo, mas fracassou. O grupo Wisco – Wuhan Iron and Steel Corporation, da província de Wuhan, negocia a construção de uma usina de aço em sociedade com a EBX, de Eike Batista, no Porto Açu, mas o projeto ainda não saiu do papel. Uma fábrica já pronta pode atrair o apetite da Wisco e da Baosteel.

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A nova estratégia dos alemães, aprovada pelo conselho de administração durante apresentação das contas do primeiro semestre de seu exercício fiscal, encerrado em 31 de março, que reportou perdas de € 1,06 bilhão, é “examinar opções estratégicas em todas as direções” – não só para a CSA, mas também para a unidade americana. As duas fábricas, CSA e laminadora do Alabama, compõem a ThyssenKrupp Steel Americas. Isso envolveria “uma parceria ou venda” desses dois ativos, os quais vêm dando seguidos prejuízos para o grupo, segundo o comunicado divulgado ontem.

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Essa divisão, em valores ajustados, apresentou prejuízo de € 516 milhões no resultado antes de juros e impostos (Ebit) e foi a única das sete unidades de negócios do grupo a apresentar perda.

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O valor contabilizado das duas fábricas, segundo o presidente executivo do grupo alemão, é estimado em € 7 bilhões. Hiesinger disse que a revisão dos negócios se deve as mudanças que ocorreram nos parâmetros econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, “que mudaram em relação as nossas previsões iniciais”. Segundo o executivo, “há razões claras que colocam agora essa estratégia de produzir placas de aço no Brasil a um custo reduzido para serem beneficiadas nos Estados Unidos e comercializadas com margens altas exposta a consideráveis riscos”.

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Heiesinger informou ainda que o atraso n as obras da CSA, que só entrou em operação em 2010, e só deve atingir 5 milhões de toneladas de placas programadas no primeiro trimestre de 2013, contribuiu para o grupo alemão ter perdas com depreciação de € 2,9 bilhões no último ano fiscal. A desaceleração na economia americana também frustou os alemães, que não contaram com prêmios previstos com o negócio.

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O projeto do complexo siderúrgico da CSA, cuja produção de placas seriam beneficiadas nos Estados Unidos e na Alemanha foi o mais ambicioso do grupo ThyssenKrupp e seu maior investimento no mundo: custou € 5,2 bilhões. O projeto, iniciado em 2005, teve seu cronograma refeito quatro vezes, tendo sido em parte atropelado pela crise de 2008 que paralisou o mercado mundial de aço. Somente em março deste ano, a empresa chegou ao ritmo de produção de 4 milhões de toneladas de placas.

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Ao Valor, Jorge Oliveira, presidente da CSA, disse recentemente que se tratava de “um investimento alto e de retorno lento”. O complexo, em Santa Cruz, tem cinco mil empregados. Teve sérios problemas ambientais tendo que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com órgão do Rio para ter licença de pré-operação dos dois alto fornos. (Colaborou Eduardo Laguna, de São Paulo, e com agências internacionais)

 

Fonte: Valor Econômico

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