Serviço Geológico do Brasil lança carta que atualiza e aprofunda dados de 1978
— Desde 1978, umas das coisas que mais evoluiu foi a datação das rochas. Ou seja, a gente conseguiu descobrir com maior precisão a idade dos vários tipos de rochas e estratos (camadas de solo) da América do Sul, estabelecendo melhor a sequência de eventos que levou à formação do continente — conta Roberto Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais da CPRM (sigla usada pelo Serviço Geológico do Brasil, herdada do tempo que ainda se chamava Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia). — Além disso, as massas continentais do Sul do planeta, isto é, América do Sul, África e Oceania (sem contar a Antártica), são as que têm as rochas mais velhas da crosta terrestre, e por isso os melhores registros da formação da Terra e de sua História geológica, principalmente a mais antiga.
— O mapa certamente será a primeira fonte de informação para quem estiver interessado em exploração mineral — considera Ventura, ressaltando, no entanto, que a utilidade do novo levantamento para isso é limitada devido à sua escala, de 1 para 5 milhões (isto é, uma linha de um centímetro no mapa equivale a uma extensão de 50 quilômetros). — Começando por esta grande escala, ele permitirá identificar os terrenos mais propícios para se buscar cada recurso, que depois deverão ser estudados em mais detalhes com levantamentos geológicos de menor escala das regiões de interesse.
Neste ponto, Ventura destaca que a CPRM está adiantada, tendo produzido nos últimos dez anos 46 mapas geológicos detalhados de diversas regiões do Brasil com escala de 1 para 1 milhão e já iniciando os trabalhos em levantamentos com escala de 1 para 100 mil.
— É como se fizéssemos um zoom no território brasileiro, mostrando de forma mais clara as nuances dos terrenos — explica. — Um prospector de minérios vai querer mapas com zoom deste tipo cada vez maior, o que demanda escalas de 1 para 10 mil, dependendo do que ele busca.
Outro uso importante do novo mapa vislumbrado por Ventura é o planejamento do uso do território brasileiro. Ele cita como exemplos evitar construir aglomerações urbanas ou barragens sobre terrenos de rocha calcária muito antiga, comuns no país e mais sujeitos a afundamentos, como observado nas regiões de Lapão, na Bahia, e de Sete Lagoas, em Minas Gerais.
— Também é importante preservar as áreas de arenito e outros solos arenosos que acumulam e deixam passar a água que abastece os gigantescos aquíferos subterrâneos do continente, como o Guarani e o de Alter do Chão, que podem ser importantes fontes num futuro de escassez de recursos hídricos. Temos que evitar “estragar” estes terrenos — lembra.
O novo mapa também vai ser fundamental para a melhor compreensão da sismologia e do vulcanismo no continente. São fenômenos fortemente ligados ao movimento das placas tectônicas, os grandes pedaços da crosta terrestre que “flutuam” sobre o manto do planeta, composto por rocha superquente que, em escalas de tempo geológicas, de milhões de anos, se comporta como um fluido viscoso.
Segundo Ventura, embora esta questão seja mais premente para países como Chile, Peru e Equador, frequentemente atingidos por terremotos, ela também é importante para entender os eventos sismológicos de menor escala que acontecem no Brasil, como os registrados nos últimos anos nas áreas de João Câmara, no Rio Grande do Norte, da Serra do Tombador, em Mato Grosso, e de Itacarambi, em Minas Gerais.
— Em comparação com outros países da América do Sul, principalmente os andinos, o Brasil era considerado sem atividade sismológica nenhuma, mas claro que não é assim. Temos locais de maior sismicidade, então é importante que os grandes projetos de infraestrutura, como usinas, tenham um acompanhamento sísmico. Mesmo menos agressivos, menores, estes eventos podem ter consequências — diz, apontando como exemplo os pequenos terremotos registrados na região de Mariana dias antes do rompimento da barragem que destruiu uma comunidade local e encheu de lama tóxica o Rio Doce, embora ressalve não ser possível relacionar diretamente as duas ocorrências.
Por fim, Ventura também espera que o novo mapa tectônico do continente aguce a curiosidade dos brasileiros sobre o chão que pisam e os lugares que visitam.
— Para ter domínio sobre nosso território, temos que conhecê-lo — defende. — Assim, o mapa também pode ser uma fonte de consulta para quem quer saber mais sobre a história geológica do lugar onde vive ou vai visitar, os tipos de rocha que estão lá e se a região é sujeita a terremotos ou erupções vulcânicas.
O Globo
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